Je est un autre. Rimbaud
Hoje, durante um matinalíssimo passeio de revisitação do meu longínquo passado, enviei esta fotografia aos meus filhos para lhes dizer que vivi naquele prédio no primeiro ano da faculdade, embora o prédio já não seja bem o mesmo. Acontece que por causa da escrita automática, em vez de dizer que morei naquele prédio, disse que morri naquele prédio. Bem vistas as coisas não deixa de ser verdade. Aquele que ali foi, já não é. Pensei, senti e vivi ali coisas que nunca mais voltei a pensar, a sentir e a viver, e mesmo o espelho me diz que houve um corpo que ocupou aquele espaço que há muito deixou de existir. Neste sentido, sou como o prédio. É mesmo aquele, nem 50 metros mais acima ou mais abaixo, não há que enganar: é ele, tanto quanto eu sou. Mas o prédio onde na realidade morei já não existe, apenas a sua reminiscência, como um fantasma. Se quiser vê-lo tal como foi, preciso de fechar os olhos. Eis também o que eu sou: um fantasma. Fui revisitar o meu passado, mas acabei eu sendo revisitado.










































