segunda-feira, 23 de Novembro de 2009
domingo, 22 de Novembro de 2009
ESTÁDIO DA LUZ
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Tal como um arquitecto projecta no seu ateliê uma cidade perfeita, o filósofo iluminista acreditava ser possível construir racionalmente uma sociedade ideal sob o lema “Liberdade, igualdade, fraternidade”.
Das três palavras, a segunda é a mais complicada, embora houvesse quem tentasse passá-la à prática. Sabemos hoje qual foi o resultado. Estados totalitários e repressivos. Milhões de inocentes mortos, presos, torturados, exilados. Sociedades cinzentas apesar de uma sofisticada propaganda que passava a imagem de um homem novo.
Há, porém, situações informais em que um sentimento de igualdade pode espontaneamente ocorrer. Comecei por falar do Iluminismo, entro agora no Estádio da Luz.
Quando o estádio enche para ver o Benfica ou a selecção, há uma experiência social de igualdade. Estamos todos a puxar para o mesmo lado. O interesse de um é o interesse de 60 000. A alegria e a tristeza de um são a alegria e a tristeza de 60 000. E conversa-se e festeja-se com o vizinho do lado, ainda que não saiba o seu nome ou profissão, se é engenheiro ou sapateiro, se vive num bairro social ou numa vivenda de luxo. Ora, se isto não é igualdade vou ali e já venho.
Pensar em igualdade de um modo saudável, só será possível de uma forma natural e espontânea, nunca por decreto-lei e com um controlo policial. Ninguém, no Estádio da Luz, é obrigado a sentir-se igual ou a ser igual.
Vendo bem, mesmo ali somos diferentes. Uns emocionam-se mais, há quem esteja calado, há quem ouça o relato enquanto vê o jogo, há quem feche os olhos nas jogadas de perigo, há quem beba cerveja, há quem beba sumo, há quem não beba nada. Mas sentimo-nos todos iguais. Ou melhor: somos efectivamente iguais.
Pronto, pronto, já sei que a esta hora já há quem me chame lírico e diga que a vida não é o Estádio da Luz. Ora, aceito que posso ser lírico quando passeio pelo campo e oiço os passarinhos e chilrear. Mas também sei que há sociedades mais igualitárias do que outras sem ter sido preciso um Partido ou um semideus para implementar a igualdade. Foi conquistado naturalmente. Como? Pela cultura, pela religião, pela educação.
Curiosamente, alguns dos países onde a igualdade é maior contam-se entre os mais ricos do mundo. Ou seja, onde há gente muito rica. E já que estamos no domínio da curiosidade, é também engraçado pensar que nesses países onde a igualdade é maior, a luz do sol faz-se sentir muito menos do que em países como Portugal, onde as desigualdades são mais chocantes, e no Inverno as noites são bem maiores do que os dias.
A luz do Estádio da Luz não é, decididamente, a luz do Sol iluminista. Até porque, se há luz, é porque é de noite. Sem o perigo do Sol ardente de certos ideais fazer mal às cabeças das pessoas.
sábado, 21 de Novembro de 2009
MORANGOS COM AÇÚCAR
NÃO VÁS TRABALHAR, MALANDRO
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
DOMADORA DE TEMPESTADES
Aos 2 minutos e 20 segundos deste discurso, depois de o povo gritar "O Führer comanda, nós seguimos!" grita o inflamado ministro da Propaganda: "Daqui para a frente o nosso lema será: Ergue-te, povo e liberta a tempestade!"
Isaiah Berlin, num texto de 1972, The Bent Twig - On the Rise of Nationalism, estabelece uma relação entre o romantismo alemão (Movimento que ficou conhecido por Sturm und Drang, ou seja, Tempestade e Ímpeto) e o nacionalismo exacerbado. Aliás, Isaiah Berlin lembra, em diversas ocasiões, que as ideias ao serem lançadas no mundo ganham uma vida própria, fugindo ao controle do seu criador que, muitas vezes, tinha com elas a melhor das intenções, acabando depois por estarem na origem de movimentos que representam precisamente o seu oposto. Aconteceu, por exemplo, com Kant. Ou, ainda mais gritante, com o polido, iluminado e empirically-minded David Hume.
Em suma, com as ideias não se brinca. Sendo assim, temos aqui uma interessante tarefa para a filosofia: domadora de tempestades. E qual a melhor maneira de domar tempestades? Domando as próprias ideias. Há um nome para isso: cepticismo.
DIA MUNDIAL DA FILOSOFIA
quarta-feira, 18 de Novembro de 2009
A UM DESAFIO NUNCA SE FOGE

Eu nunca.... vi o fundo do túnel sem luz.
Eu sei.... perguntar "Que sais je?"
Eu quero... cada vez menos coisas.
terça-feira, 17 de Novembro de 2009
FALA DE DIDO A ENEIAS
havia de dizer-te
que o fogo nas tuas mãos
era o horizonte do fatum a arder.
Mas a tua ausência
procura-me nos corredores do palácio,
entra na sala,
onde já não te espero,
deixa, à minha volta,
taças e túnicas e uma última espada,
os despojos do silêncio.
segunda-feira, 16 de Novembro de 2009
OS BOLSOS
Antigamente, ia-se ver cinema ao Monumental, ao S. Jorge, ao Tivoli, ao Império, ao Éden. Templos faraónicos para se verem filmes em ecrãs gigantes. Torres Novas, pequena vila, tinha uma sala de cinema com 1000 lugares e um ecrã em conformidade com o tamanho da sala.
domingo, 15 de Novembro de 2009
EVANGELHO SEGUNDO HERMÈS
ONANNYSMO
sábado, 14 de Novembro de 2009
HÃ?
PÁSCOA É QUANDO UM HOMEM QUISER
Juro, mas juro mesmo, que no próximo dia 31 de Dezembro irei comemorar a entrada no novo ano com 12 amêndoas da Páscoa.
sexta-feira, 13 de Novembro de 2009
TETRALOGIA
quinta-feira, 12 de Novembro de 2009
FABRICO PRÓPRIO

O conceito de fabrico próprio é metafísica pura e dura e a sua compreensão é um osso duro de roer. Pretende criar a ideia de que aquela pastelaria tem em relação às outras uma enorme vantagem. Ora, é aqui que me sinto extremamente confuso.
Imaginemos um bolo de arroz numa pastelaria que não tenha fabrico próprio. Como não tem fabrico próprio, não foi fabricado naquela pastelaria. Ora, eu, como cliente, poderia ficar desconfiado.
Só que aquele bolo foi mesmo fabricado. E se foi fabricado serei obrigado a pensar que a fábrica que o fez tem fabrico próprio. Então, e se eu comprasse o bolo na fábrica (que tem venda directa ao público) em vez de o fazer na pastelaria que não tem fabrico próprio? Será que o bolo fabricado na fábrica com fabrico próprio é diferente do bolo vendido numa pastelaria sem fabrico próprio mas que foi feito na fábrica com fabrico próprio?
O mesmo bolo não é o mesmo bolo na fábrica e na pastelaria? Nós pomos lado a lado um bolo de arroz comprado na pastelaria que tem fabrico próprio com outro bolo de arroz comprado na pastelaria que não tem fabrico próprio mas que foi comprado na outra que tem fabrico próprio. Será que são dois bolos diferentes?
Imaginemos que os bolos pensavam e tinham sentimentos. Que amavam, sofriam, tinham desejos e consciência de si. Enfim, que tinham lido Sartre, Camus e ouvido a música dos Joy Division antes de irem para a montra da pastelaria. Será que um bolo vendido numa pastelaria sem fabrico próprio teria mais razões para uma crise existencial do que um outro vendido na montra de uma pastelaria com fabrico próprio? Mas como assim? São bolos iguais. Com o mesmo sabor, textura, cor, cozedura. É tudo o mesmo.
Como pode o mesmo ser um outro? Mas que raio de relação dialéctica será esta entre a mesmidade e a alteridade? Eu avisei que a metafísica é um osso duro de roer. E há muita pastelaria e padaria em Portugal que nada contribui para ajudar a roê-lo.
quarta-feira, 11 de Novembro de 2009
DURKHEIM NA PASSAGEM DE NÍVEL

terça-feira, 10 de Novembro de 2009
TIMIDEZ

UM ARGUMENTO CRUCIFICADO
O HOMEM NO ELEVADOR

segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
MURO DE BERLIM
Sou absolutamente insuspeito em matéria de comunismo. Apesar de ser um garoto, estive na célebre manifestação da Fonte Luminosa em 1975 e sei o que passámos, vindos de Torres Novas, para conseguirmos entrar em Lisboa. Sempre manifestei publicamente as minhas opiniões relativamente ao pesadelo comunista que, pela sua duração (ainda dura) e descontando a trágica solução final, foi muito pior do que o nazismo e os diversos fascismos. Em Torres Novas, há dois comunistas que na rua me viram a cara, certamente por coisas que terei escrito relativas ao PCP e ao comunismo. Estou pois à vontade para dizer o que se segue.
O Muro de Berlim não estabelecia uma demarcação entre o Céu e o Inferno. A RDA não era o Inferno e a RFA não era o Céu. Nem a RDA era o Céu nem a RFA o Inferno. Vendo bem, o Céu e o Inferno nem sequer existem. A verdade é que nos países de leste havia aspectos de fazer inveja a um ocidental, sobretudo a um português. Por exemplo, o elevado nível educativo, cultural, científico das pessoas. Do mesmo modo que nos países ocidentais, havia bens sagrados que, para um cidadão de leste, eram simples miragens. E nem preciso de falar de bananas e calças de ganga. Basta falar de liberdade, da ausência de censura e de um "Pide" em cada esquina, em cada mesa de café, em cada cadeira do cinema onde podiam ser vistos todos os filmes e não apenas os que o Partido deixava ver.
Há um texto de Diderot (século XVIII), chamado "Suplemento à Viagem de Bougainville", no qual é feita a descrição do modo de vida dos índios do Taiti. Diderot, neste texto, pretende mostrar que o modo de vida desses indígenas é muito superior ao nosso. Também Montaigne, nos seus "Ensaios", cerca de 200 anos antes de Diderot, nos dá, a nós europeus, um murro no estômago com a descrição de comportamentos de índios brasileiros que acabam por mostrar o lado ridículo das nossas instituições ou comportamentos.
domingo, 8 de Novembro de 2009
FREUD EM BUCARESTE
CIÊNCIAS DE QUÊ?
sábado, 7 de Novembro de 2009
UM CONSERVADOR REVOLUCIONÁRIO OU UM REVOLUCIONÁRIO CONSERVADOR?
sexta-feira, 6 de Novembro de 2009
quinta-feira, 5 de Novembro de 2009
TASCAS E TASQUINHAS

As tabernas tinham nomes que faziam jus à sua identidade ontológica. Ia-se para a taberna do Mário Russo, do Abílio, do Bué. Ou simplesmente para o Mal Atilado ou Zé da Ana. Sítios onde se bebia mais do que se comia. Com serradura no chão e pipas atrás do balcão, não com a famigerada ideia pós-moderna da decoração (enfim coisa de decoradoras urbanas e arquitectos de interiores que comem Chocapic ao pequeno-almoço) mas com vinho a sério para se beber enquanto se ia escarrando para o chão de cimento.
Mas o que são actualmente as tabernas ou as (até tenho vergonha de dizer) tasquinhas? Limitam-se a explorar sem vergonha a nossa fome de uma autenticidade perdida. Mas uma pessoa que vai a um restaurante chamado Taverna d’el Rei engana-se a si própria, julgando que voltou ao bom sabor dos velhos tempos. Não voltou. São normalmente restaurantes com azulejos horríveis nas paredes, balcões frigoríficos a dar para as mesas e a televisão sintonizada na TVI. Depois comem-se coisas que, ou são ideologicamente traiçoeiras ou mesmo ultrajantes para um português sério.
No primeiro caso, temos como exemplo o “doce da avó”. Eu já não suporto olhar para uma ementa e encontrar “doce da avó”. Pronto, estou farto O que é o doce da avó? Um doce conventual com muita amêndoa, noz, ovos moles? Não. Uma mixórdia com natas, leite condensado e bolacha torrada. Tudo industrial e para enjoar ao fim de duas colheres, atacando-se então o enjoo com mais dois ou três goles de Ice Tea, Seven-Up ou Coca-Cola.
Já no segundo caso temos como exemplo os bifinhos com cogumelos. Mas desde quando é que um homem come uma coisa chamada “bifinhos”? Uma coisa acabada em “inhos”? Dá-se o leitinho ao bebé, põe-se a papinha na mesa, ele pede aguinha quando tem sede e nós damos. Agora meter um homem a comer bifinhos não tem pés nem cabeça. Na velha taberna alguma vez se comiam “bifinhos”? Ok, havia os molhinhos ou os jaquizinhos. Mas não tem nada a ver. Porque os bifinhos são uma degeneração do honrado bife com batatas fritas e ovo a cavalo. Agora, os molhinhos e os jaquizinhos são molhinhos e jaquizinhos porque se chamam mesmo assim. Não há molhos nem jaquins. Também já houve um jogador do Porto chamado Vermelhinho e outro do Benfica chamado Nelinho e não tinha mal nenhum. O problema só surge quando se chama Alfredinho ao Alfredo.
Não nos enganem mais. Não chamem taverna ao restaurante nem doce da avó ao Macdonald´s das sobremesas. Se querem fazer qualquer coisa que possa lembrar a antiga taberna ponham ao menos serradura no chão. Que é para podermos cuspir à vontade enquanto acabamos de beber o Ice Tea.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
SALA DE PROFESSORAS
AGENDA OCULTA -II
terça-feira, 3 de Novembro de 2009
AGENDA OCULTA
BEM-ESTAR NA CIVILIZAÇÃO
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
PALAVRAS E EXPRESSÕES QUE DETESTO
DIÁLOGO ENTRE UM ATEU E UM PADRE CATÓLICO
domingo, 1 de Novembro de 2009
REENCARNAÇÃO
KRISIS

sábado, 31 de Outubro de 2009
5 FOTOGRAFIAS
2.A manhã cheia de brilhos e doçura debruça o rosto puro na maçã.
3.Na laranja o sol e a lua dormem de mãos dadas.
4.Cada bago de uva sabe de cor o nome dos dias todos do verão.
5.Nas romãs eu amo o repouso no coração do lume.
Eugénio de Andrade, Natureza Morta com Frutos (Ostinato Rigore - 1963-1965)
sexta-feira, 30 de Outubro de 2009
A EDUCAÇÃO IDEAL
quarta-feira, 28 de Outubro de 2009
DIAS FELIZES
A aula era de Psicologia e falávamos de infância.
Disse-me, com os olhos a abrir e um sorriso luminoso num rosto de doce indigência, que os momentos mais felizes da sua vida que guarda na memória foi quando, com 4 ou 5 anos, passou alguns dias no hospital.






































