25 abril, 2026

SEMPRE!

Há muito que havia perdido o romantismo do "25 de Abril, sempre!". 50 anos depois, o 25 de Abril estava em vias de se tornar numa data que, como o 5 de Outubro ou o 10 de Junho, dão vontade de bocejar, excepto naqueles anos em que dá para fazer uma ponte, ao invés deste que nem num dia de semana calhou. Politizei-me após o 25 de Abril, uma adolescência que coincidiu com um país a viver também a sua adolescência. Nascendo tarde de mais para poder ser anti-fascista, e com o 24 de Abril resolvido no 11 de Março, a minha matriz visceralmente social-democrata, soarista. adepto de um Estado Social em liberdade, fez-me ir ainda a tempo de ser anti-comunista, desvalorizando a pouco e pouco a memória do horrível regime que tinha ficado lá atrás e que os jovens passaram a estudar na escola como eu estudei outras coisas que nunca vivi. Acontece que os incontroláveis desvarios da história levam-na a dar muitas voltas, estando longe de imaginar que viria novamente a sentir um forte apelo para dizer "25 de Abril, sempre!" e, não pequena ironia, em uníssono com os poucos comunistas que ainda sobrevivem. Que seja, pois, para sempre, mas uma sempre que é mesmo sempre, ao contrário de certos nãos que não são mesmo não.