O apertado grafismo do título levou-me a uma leitura precipitada. Nada de anormal, pois uma das leis da percepção é a da aproximação, fazendo com que o cérebro, que gosta de ordem, junte elementos objectivamente separados mas que graças a essa junção ganham um sentido que deixa o nosso cérebro, digamos assim, confortado. Não se trata sequer de uma ilusão de óptica, de um engano ingénuo, uma ratoeira perceptiva. Não, é mesmo de liberdade, da liberdade de poder ver o que não está lá, mas que, não sendo verdadeiro, está muito bem apanhado, como diria um italiano. Assim como quando olhamos para as nuvens e reconhecemos figuras que nos são familiares. Sim, os portugueses estão a ir a votos, mas nunca tanto como hoje os seus votos foram tão vaiados. Que Deus ajude o vencedor e, sobretudo, quem nele votar.
