11 janeiro, 2026

A CUSTÓDIA DE BELÉM

 «Já não era a Custódia: era a massa de uma baronesa a levedar» Camilo Castelo Branco, Eusébio Macário

Cumpri hoje de manhã o meu dever cívico, conseguindo não votar branco ou nulo. Quer isto dizer que, por muito estranho que soe nas circunvoluções cerebrais de quem segue a campanha, logrei mesmo, sem me rir, votar num dos candidatos, para quem, no entanto, continuo a olhar sem poder vislumbrar a massa de um presidente a levedar. O mesmo, de resto, acontece com todos os outros, só que ainda mais desfermentados e desenfarinhados do que o meu desejado, embora pouco desejável, eleito. Enfim, votei como quem boceja, só que em vez de usar a mão para tapar a boca, peguei numa esferográfica com os olhos bem abertos para não falhar o alvo. Temos um primeiro-ministro que sonha com uma pátria de Cristianos Ronaldos embalada pelas canções de Tony Carreira. Agora, ganhe quem ganhar, iremos ter uma Custódia na presidência, mas que sem conseguir defecar-se das anteriores particularidades, muito provavelmente Custódia, elle même, continuará a ser.