Depois de umas três horas a ver obras de arte em Serralves, qual poderá ser a única a reacção de um ser humano diante da tese de Hippolyte Taine num livrinho chamado Da Natureza e Produção da Obra de Arte(1865), sobre o que é arte? Chorar a rir. Mal sabe ele o que estaria para vir. Mas, no dia seguinte, o mesmo ser humano passa pela montra deste ginásio de Jiu-Jitsu e ao pensar na análise do filósofo francês a respeito de momentos específicos da História de Arte, logo retira o riso da boca. Ao comparar a pintura e escultura de Pompeia no século I com os mosaicos de Ravena no século VI, a páginas tantas diz o filósofo sobre os últimos: "Já não se admira o lutador e o efebo, mas sim o eunuco, o escriba, a mulher, o monge". Cá para mim, a única explicação para esta pérola cravada no vidro [ADULTOS, MULHERES, CRIANÇAS] é pensar que os donos deste ginásio leram Taine, resolvendo fazer, uns bons anos depois do velho filósofo, uma criativa síntese entre Pompeia e Ravena.
