13 junho, 2026

UMA HISTÓRIA TRISTE

Quando José Afonso canta que o pintor morreu refere-se a José Dias Coelho, que resolveu deixar de pintar para lutar contra o fascismo, sendo morto pela PIDE aos 38 anos. Uma morte em vão pois bem podia andar décadas ou séculos a lutar contra o fascismo que não seria por isso que este iria acabar. Mas bastou um dia, inteiro e limpo, como se costuma dizer, para que um grupo de capitães, cansados de guerra, resolvesse o assunto. Quando estive no museu do neo-realismo senti pena dele, pela pessoa e pelo pintor. Júlio Pomar também foi comunista, esteve preso, vem do neo-realismo, mas, felizmente, deixou-se disso. Morreu velho, sempre a pintar, para seu prazer e de todos nós. Não tivesse morrido aos 38 anos, talvez Dias Coelho também tivesse o bom senso de deixar de lutar por uma causa perdida ou até, como tantos outros, de abrir os olhos para os horrores do comunismo. Não teve tempo para isso, acreditando que tanto poderia morrer como mártir como sair vencedor. Uma história triste, esta, de alguém que poderia ter morrido velhinho e todo contente a pintar, mas que morreu de uma morte fútil que apenas serviu a quem o matou.