Entretanto, na missa, para explicar relação de proximidade entre Jesus e as irmãs Marta e Maria, disse o padre que, se fosse hoje, seria do género de entrar em casa delas à vontade, ir direito ao frigorífico, abrir a porta e dizer entusiasmado "Eh pá (SIC), que belo pitéu aqui temos!". Perguntava Wittgenstein porque é que a filosofia na era dos aviões e automóveis continuava a ser mesma do tempo em que se andava a pé. Pela mesma razão, não estou a ver o que Velásquez, Rubens ou Vermeer, que pintaram o episódio em que Jesus adverte Marta e elogia Maria, iriam fazer com a versão mais vernacular do esforçado clérigo. Mas qual Velásquez, qual Rubens, qual Vermeer, um Jesus moderno só pode mesmo pedir uma moderna pintura.
Roy Lichtenstein, 1963 [Jesus dando o raspanete a Marta por ter ido para a cozinha em vez de ficar a ouvi-lo]

Roy Lichtenstein, 1963 [Marta, finalmente sentada, mas sentida, a pensar no assunto após Jesus ir para casa]
Roy Lichtenstein, 1963 [Jesus e Marta amuados, no dia seguinte, com Ele a caminho de curar mais um cego e dois paralíticos]

