20 agosto, 2026

RONALDITE

Outro clássico é, ao saberem que sou português, atirarem-me logo com o Cristiano Ronaldo. Uma praga, uma ronaldite aguda para a qual começa a ficar difícil desenhar o meu social sorriso de boa educação por uma satisfação que não sinto. Eu não gosto do Cristiano Ronaldo. Ser bom jogador ou trazer alegrias à pátria não é condição nem necessária nem suficiente para gostar dele, do mesmo modo que ser inovador também não o é para gostar de Musk, ser bom escritor para gostar de Pound ou ser bom orador ou esperto que nem um alho condição para gostar de André Ventura. O homem tem tudo o que eu não gosto, a começar no mau gosto e pirosice pegada que o dinheiro nunca irá corrigir, para acabar em quase tudo o resto. Entretanto, alguns, mal acabam de nomear a criatura, dizem logo que preferem o Messi. Uns dizem-no com ar de desafio e provocação, outros algo timidamente com algum receio de me melindrar. É então que aproveito para, aqui sim, com um sorriso de desenhador profissional e voz de quem não pode desprezar a ocasião: «Também eu!»  Mas nunca sem ficar depois com a sensação de que, podendo ser aquela pessoa daquelas que cantam o hino de olhos fechados e a mão no peito, olhará para mim como um traidor da pátria. Ufa, ainda bem que o homem está para pendurar as botas, libertando a pátria do seu simbólico patrocínio.