25 agosto, 2026

RAKHMETOV

 


Esquecer a estética? Até Kant, que era Kant, o que não é coisa pouca, dá valor à experiência do belo como expressão do bem moral, salvando a ínfima criatura que somos nós de ser esmagada pelo luminoso peso das estrelas no eterno breu do universo. Alguém quis brincar aos Savonarolas deste mundo, mas traído pelo acto falhado que mora ao lado. Kant até podia dispensar a música (pior para ele) mas tapar os olhos é coisa que nunca faria, assustado que ficaria com a vacuidade de uma cabeça sem sentidos. Porque um espaço sem sentidos é mesmo um espaço sem sentido. Podemos ser um lenho retorcido que jamais se endireita, mas salvos por uma beleza da qual foge o pobre anacoreta como o diabo da cruz.