18 agosto, 2026

O PÓ CÁ DE CASA

A Casa do Pó é o titulo de um romance com enorme sucesso nos anos 80 do século passado, bastante lido, mesmo por quem não o leu, e que entretanto, se evaporou, como tantos outros livros bastante lidos mesmo por quem não os leu. Hoje já ninguém o lê, mas sem dúvida que continua a ser um título bonito e poético mesmo para quem não o leu, como é o meu caso. Casa do Pó! A vontade que dá nela entrar, de perscrutar os seus silêncios, de devanear ante os seus mistérios, de lentamente a desvendar para entretanto nos irmos surpreendendo sob as camadas de pó que a enobrecem e embelezam. Eis o contributo do meu cérebro ao acordar perante a necessidade de limpar o pó à minha, depois de vários, demasiados, dias a acumulá-lo. O seu contributo para, como defende Wilde, poder ser a vida a imitar a arte em vez do contrário. E movido por este abúlico e decadente torpor continuarei sentado, pelo menos enquanto o feitiço durar.