05 julho, 2026

IMAGINAR E VER

Alguém imagina ver o Terreiro do Paço como parque de estacionamento? Pode-se imaginar, mas para não ver. A negação será tão consensual que nem o presidente do ACP, por muito que possa imaginar, não imagina ver. Todavia, já vimos o absurdo de ver o Terreiro do Paço ser um parque de estacionamento, e se condutores e peões o viam, não viam o absurdo de o ser. Nós vemos as coisas que são normais e que são normais porque as vemos, coisas que deixam de ser normais porque deixamos de as ver e deixamos de ver por serem anormais. Isto permite um exercício interessante: imaginar cinco, dez coisas que poderão vir a ser anormais, e que hoje vemos sem ver a anormalidade. Não estou pensar em utopias, em imaginar o que não se pode ver, que sempre desvairaram cabeças em jejum. Não, imaginar coisas que pedem para ser vistas, como o Terreiro do Paço sem carros, mas que a nossa cegueira ainda impede de ver.