02 julho, 2026

A ALEGRIA DA CAVERNA

Suponhamos um mundo onde um génio maligno vai substituindo todo o dinheiro por notas falsas, passando as pessoas, pelo uso, a acreditar serem estas as verdadeiras. Um dia, alguém dá por uma nota que, por ser diferente, julga ser falsa, mas que depois de analisada se descobre ser afinal verdadeira, assim como a careca à situação. Que fazer? Substituir tudo de novo? Dificilmente, pela complexidade e custos elevados. A minha previsão é a seguinte: pragmatismo. A realidade é o que é, as coisas são o que são, quase tudo uma questão de convenção e conveniência face ao considerado normal. Fiquemos então com as falsas que se convencionou serem verdadeiras, sendo a verdade o que facilita a vida e melhor serve os nossos interesses. Alguns filósofos diriam ainda que não há uma verdade platónica, universal e objectiva, percebida pela razão e que teria mesmo o inconveniente de nos obrigar a sair da caverna, o que dá cabo da vista, preferindo-se antes o que está em sintonia com os nossos desejos e ilusões no conforto da escuridão.