E que tal a ideia de comer sardinhas durante o S. António, embalado pelas sonatas de Schubert? Ou um frango assado, no S. João das Fontaínhas, condimentando os ouvidos com uma sinfonia de Mahler? Um pesadelo. Música popular, e quanto mais popular melhor, o que está longe de significar ter em casa a Obra Integral de Nel Monteiro. Daí que avaliar a Odisseia de Christopher Nolan possa ser mais complexo do que parece. Entendo perfeitamente os críticos que não gostaram do filme. Se eu fosse cinéfilo ou crítico também não iria gostar. E de certo modo posso dizer que não gostei, mesmo não sendo cinéfilo ou crítico. Porém, lutando para deixar o livro na estante, deixando-me ir como se fosse tirando pipocas do balde no regaço, e, não menos importante, perdoando o realizador, não posso dizer que tenham sido três horas mal passadas ou que não me tenha chegado a divertir no ginásio IMAX, junto dos comensais de balde no regaço que ficaram a conhecer Menelau, Telémaco, Argus ou Calipso. No final, de consciência tranquila por não ter comido pipocas, mas tão saciado como se tivesse optado pelo tamanho grande, aproveitei ainda para passar pelo IKEA para comprar umas coisas para a cozinha.