Tenho um aluno 50% austríaco. A probabilidade de, numa terreola portuguesa, ter um aluno, ainda que parcialmente, austríaco, parece-me bastante reduzida. Reduzida, mas admissível. Mas há nesta história lugar para a estupefacção. Como haveria de se chamar o colega de carteira do meu aluno meio austríaco? Tomás Bernardo. Isso mesmo, o colega de carteira do meu aluno meio austríaco chama-se Tomás Bernardo. E agora pergunto: qual a probabilidade de um aluno chamado Tomás Bernardo ser o colega de carteira de um aluno meio austríaco numa terreola portuguesa? A minha estupefacção só não é absoluta porque o Tomás Bernardo e o meu aluno meio austríaco dão-se bem. Não se pudessem ver um ao outro e de imediato atiraria a minha toalha filosófica ao chão, apagava a luz como no final do Cavalo de Turim para ser levado pelo sono da razão. Não sendo esse o caso, ainda dá para manter um olho aberto, mas não sem alguma comichão.