Compro o bilhete electrónico para a exposição, usando o desconto da idade. Depois, ao entrar, a rapariga pede para confirmar. Fiquei zangado ou apenas aborrecido? Não, pelo contrário, um momento de júbilo. Ainda tenho cravada na memória a insólita situação na bilheteira da Villa Farnesina, ainda antes de atingir os 65 anos, portanto, sem direito a desconto: peço o bilhete e ao recebê-lo vejo que paguei menos. Ou seja, o homem olhou para mim e desde logo assumiu que eu já tinha 65 anos. Soube-me bem o desconto, mas fiquei desanimado por parecer ter mais idade. Foi o meu primeiro choque de realidade, um murro bem no estômago da minha alma. Depois destes amargo momento, e de outros em que peço o bilhete sem precisar de mostrar o cartão de cidadão, como haveria de me sentir por finalmente alguém olhar para mim e achar que posso não ter 65 anos? Como diz o povo ou um qualquer livro de auto-ajuda, fecha-se uma porta mas logo se abre uma janela. Custa-me um bocado, mas tenho que dar o braço a torcer.