09 fevereiro, 2026

UMA LIÇÃO

 
                            
«O homem pensa, Deus ri» provérbio judaico

Um dos primeiros filmes de Ingmar Bergman, Uma Lição de Amor (1954), apresenta-se como comédia que poderia ter sido uma tragédia. E poderia mesmo, o que não faltam são dramas e tragédias como  resultado  das mesmas peripécias que fazem deste filme uma comédia, sendo ténue a linha que as separa. E se há ingredientes que não faltam no cinema de Bergman são drama e tragédia, aliás, de grande nível, diga-se em abono da verdade. O que faz então deste filme uma comédia, e não uma tragédia? Não se levar demasiado a sério, não levar demasiado a sério os outros, não levar demasiado a sério a vida. E saber rir, rir de si, rir dos outros, rir onde tantos outros derramam lágrimas e suspiros. Curiosamente, a personagem mais problemática é uma jovem adolescente, e talvez o seja por ainda não ter aprendido a rir como uma adulta, levando-se demasiado a sério, sinal de imaturidade entretanto ultrapassado pelo adulto. O filme chama-se "Uma Lição de Amor", mas, muito mais do que isso, é uma lição para a vida.