21 fevereiro, 2026

ARTITE ESTETIZOIDE

Diz Enrique Vila-Matas que "enquanto houver alguém no metro a pegar num bilhete e a anotar uma frase para  escrever à namorada, haverá literatura". Eis uma excelente notícia, não só para leitores e bibliófilos, mas também para melómanos, cinéfilos e amantes de pintura. Enquanto houver um chuveiro e alguém não afónico com vontade de cantar uma ária enquanto se ensaboa, haverá ópera. Enquanto houver alguém com um telemóvel na mão mão para filmar 20 segundos de um jantar de amigos para pôr no Instagram, haverá cinema. Enfim, enquanto houver alguém que desenhe uns rabiscos num talão de compras do supermercado, haverá pintura. O futuro da humanidade parece não ser auspicioso, mas teremos sempre a arte para nos salvar.