29 janeiro, 2026

ASSIM TAGARELOU ZARATUSTRA

Regressei hoje à universidade. Vagueando pela cidade universitária de uma cidade europeia deu-me vontade de fazer chichi, resolvendo então entrar na faculdade mais à mão para resolver o problema. Como a faculdade onde entrei pela primeira vez há mais de 40 anos, também esta tinha um grande hall à entrada com imensos estudantes por ali a passar ou a conversar, o que fez com que logo reavivasse o que exactamente senti nesse longínquo primeiro dia. Depois, ao sair já aliviado, deu-me para a melancolia, pensando então no que teria feito de diferente ao longo da vida, sabendo o que sei hoje. Ora, a pessoa que sou, que conheço e que identifico como sendo eu, coincide com a pessoa que sabe o que sabe porque foi o que foi. Tivesse feito as coisas de maneira diferente, essa pessoa iria saber coisas diferentes das que sei e, assim sendo, já não seria o que agora sou. Na série Missão Impossível, um dos agentes conseguia substituir o seu rosto por outro. Tal como não aceitaria trocar o meu rosto por outro, por  fazer com que não me reconhecesse, também não teria querido outra vida que não reconheço como sendo a minha e com o que sou. Porque diante do que sou, para o bem e para o mal, não sei responder outra coisa a não ser que sim.