09 junho, 2018

Há uma zona da feira do livro de Lisboa em cujos pavilhões se encontram alfarrabistas. Ver por ali todos aqueles livros no meio de uma feira cada vez mais moderna, vibrante e cheia de atractivos, não deixa de provocar uma certa melancolia. Livros que já foram frescas novidades, best sellers que faziam parte de qualquer biblioteca pessoal durante os anos 40, 50, 60, 70 ou até 80, e anunciados com pompa e circunstância, estão agora ali como obsoletas velharias que só interessam mesmo a coleccionadores imbuídos de um certo romantismo arqueológico. A questão é acontecer o mesmo na parte moderna, vibrante e atractiva da feira. A grande maioria daqueles milhares livros vai passar mais rapidamente à história do que passaram os anteriores, esmagados pelo peso das recentes novidades, como no quadro de Bruegel em que peixes vão engolindo outros peixes que, por sua vez, comem outros peixes. Há qualquer coisa de mórbido em todo aquele sonoro colorido no meio de uma cidade onde não se consegue parar de editar mas onde também dificilmente se consegue parar para ler.