04 maio, 2018

SORRISOS NUMA MANHÃ DE PRIMAVERA



Entro na sala de aula, vou para junto da minha secretária, e enquanto os outros se vão sentando, duas alunas, com um interesse e entusiasmo pouco usuais, correm aos saltinhos até junto a mim, perguntando se posso dar a minha opinião sobre um assunto que, avisam, nada tem que ver com filosofia, e que logo percebi terem estado a discutir. Eu digo que sim. Pergunta-me a mesma aluna o que é para mim mais forte: dizer, a uma pessoa, «amo-te» ou «adoro-te» Dou a minha opinião, mando-as sentar e começo a aula. Quase hora e meia depois, chegado aquele momento em que se percebe que a aula está terminada, um aluno pede-me se pode fazer uma pergunta que nada tem que ver com a matéria. Eu digo que sim. Pergunta-me então se também acho que as paixões só servem para fazer sofrer e que seria bem melhor as pessoas não se apaixonarem. Dou a minha opinião, mando-os embora e, já sozinho, enquanto arrumo as minhas coisas, percebo que agora sim, que desta é que é, e é mesmo oficial: começou a Primavera.