29 maio, 2018

Frequentar com alguma assiduidade um lar de idosos é bastante esclarecedor sobre a importância do sentido da vida para justificar a própria vida. Ver velhos, todo o dia sentados no mesmo sítio, em silêncio, abúlicos, a olhar para o chão, para uma parede ou, o que vai dar no mesmo, uma televisão, sem receberem visitas ou terem alguém a pensar neles, sem terem que fazer, que pensar, que dizer, que esperar e, mesmo assim, não só não querem morrer como ainda têm medo de morrer, torna fútil uma discussão racional com vista a uma qualquer legitimação do desejo de viver. Podemos invocar mil e uma razões para querermos viver. Mas a mais importante, a que verdadeiramente conta, é a mesma de uma anémona ou do mais insignificante dos insectos.