28 fevereiro, 2018

O HIPERATIVO CATEGÓRICO


Cada vez me convenço mais de que podemos todos aprender uns com os outros. Lá no alto da sua epistolar sapiência, já dizia S. Paulo, na Carta aos Romanos, que tanto era devedor a gregos como a bárbaros, a sábios como ignorantes. Permita-se-me acrescentar, humildemente, na mesma linha do santo, para quem, como diz na Carta aos Gálatas, não havia "nem grego nem judeu, nem servo nem livre, nem homem nem mulher", que também não há professor ou aluno, mestre ou discípulo, não por sermos todos um em Cristo mas todos um no erro e na ignorância. Mas erro que pode ser tão fecundo como a verdade, podendo todos aprender uns dos outros, pois, mais do que filhos da sabedoria, somos, na nossa radical fragilidade antropológica, filhos do erro. Não por acaso, o mais conhecido e reconhecido livro de um dos actuais vultos da literatura portuguesa, digamos que um Samuel Beckett português, se chama "Prometo Errar", quiçá inspirado no Pedro Chagas Freitas irlandês, que dizia "Falhar outra vez. Falhar melhor".

Este pequeno e parvo (perdoe-se-me a redundância) devaneio surgiu durante a correcção de um teste sobre a moral kantiana e depois de ver uma aluna a escrever sobre o "hiperativo categórico". Um erro? Sem dúvida. Mas o que é isso de errar? Quem somos nós, vis, miseráveis e mesquinhos humanos para sabermos onde está a luz ou a escuridão? O que sei, sim, é que, de ora avante, sempre que precisar de categorizar pessoas como Marcelo Rebelo de Sousa ou alunos que não conseguem estar nem quietos nem calados, já disponho da ferramenta conceptual que cá me faltava: hiperativo categórico. Como diz o povo, quando convertido às virtudes intelectuais e morais do pensamento positivo, pode-se fechar uma porta ali mas há sempre uma janela que se abre acolá.