26 fevereiro, 2018

GÓTICO PANORÂMICO

Quis obter informação sobre uma igreja de uma cidade europeia. Pesquiso no Google, que me dá o site oficial do turismo da cidade. Sim, tem informação mas também, num registo algo TripAdvisor, comentários sobre a igreja em questão. Logo no primeiro comentário, diz a pessoa, entusiasmada, que vale bem a pena uma visita à igreja para poder subir à alta torre a fim de desfrutar uma excelente vista sobre a cidade.

Após a queda do império e de travessia de um deserto de vários séculos, há uma fase da Idade Média em que, na Europa, as cidades começam a despontar, sendo a catedral o seu centro. Georges Duby chama-lhe "O Tempo das Catedrais". Centro que separa ainda o espaço sagrado do interior da catedral, do profano espaço exterior, separação para a qual contribui toda uma poética ou mística da altura, que permite sair da pequenez humana da cidade para entrar no elevado esplendor da igreja. Hoje, pelos vistos, já não temos um olhar centrífugo da cidade para a igreja mas esta como miradouro que serve para melhor se ver a cidade. É, definitivamente, o tempo das cidades. Um tempo que, depois do gótico radiante ou do gótico flamejante, nos trouxe, para nosso turístico prazer urbano, o gótico panorâmico.