25 fevereiro, 2018

CORREIO AZUL


Estive, há dias, no funeral de um familiar meu. O velório não poderia ter sido num sítio mais pessoal: a sala de estar da sua casa. Depois, mesmo antes de descer à terra, um neto e uma neta fizeram dois belos e emocionantes discursos aos quais foi impossível ficar indiferente. Cumprida esta sempre triste e ingrata missão, amigos mais próximos e familiares dirigiram-se para sua adega a fim de alegremente beberem do último vinho que fez antes de partir e, com os copos erguidos, lhe render homenagem. Eu não entendo nada de vida para além da morte e de geografia celeste. Mas posso garantir que nunca vi alma tão bem e poeticamente encomendada como esta.