10 janeiro, 2018

UMA SEMANA DEPOIS

Há uma semana e picos entrámos num novo ano. Um ano novo no qual se entra sempre com a sensação de um novo começo, de um novo e fresco ponto de partida, como um jogo de futebol que se inicia com o seu virginal 0-0, ainda que se trate de um Barcelona-Torres Novas, e independentemente de todos os resultados anteriores, tanto os bons como os maus. Daí os desejos e votos expressos para o novo ano, o renascer da esperança, o optimismo pela libertação de males que ficam para trás com o velho e moribundo ano que dá o último suspiro. Uma semana depois as pessoas descobrem que afinal nada mudou, descobrem que os anos não existem, não passando de uma formalidade temporal para que o tempo cronológico siga o cíclico tempo astronómico dos 365 dias que a Terra demora a dar a volta ao Sol, quando, no fundo, não passa de uma linha contínua rumo ao infinito. Basta uma semana, uma simples e singela semana para perceber que não existem começos nem fins, que a vida segue continuamente como sempre seguiu e sempre seguirá, umas vezes para cima, outras vezes para baixo, quase sempre nem para um lado ou para o outro.