23 dezembro, 2017

VIA INFORMÁTICA PARA O SOCIALISMO

[Tradução: É Berlim quando não sabemos se é um CEO ou um sem-abrigo]

A frase é bem engraçada e criativa mas também, sem dúvida assumidamente, bastante retórica. Claro que saberemos sempre distinguir um CEO de um sem-abrigo: pelo olfacto, pela quantidade de óleo no cabelo e nódoas na roupa, pela marca do carro (ou ausência dele) onde se senta. Ceo's e sem-abrigo, ricos e pobres, irão sempre existir. Muitas vezes até por razões pessoais e não decorrentes de um sistema social injusto e desequilibrado. Mas também nunca como hoje, sobretudo em empresas modernas cuja cultura é bem diferente daquela mais clássica, ainda associada a um século tão longínquo como já é o século XX, se tornou tão difícil distinguir as pessoas em função "do andar" do edifício onde trabalham.

Continuamos a ter na mesma empresa, pessoas a ganharem rios de dinheiro, enquanto outros quantias bem mais modestas. Porém, seguindo o pragmático bom senso de clássicos do pensamento social como Mandeville, David Hume, Adam Smith, ou até contemporâneos como Rawls, ainda bem que assim é. Ainda bem que há pessoas ambiciosas, vaidosas, cobiçosas, materialistas, que desejam cupidamente ganhar rios de dinheiro para poderem ter brutas casas, brutos carros, irem a brutos restaurantes ou fazerem brutas viagens. Ganhamos todos pois são eles, e não os trabalhadores, os quais se limitam a vender a sua força de trabalho para viverem as suas confortáveis vidinhas, que dinamizam economicamente uma sociedade, que criam riqueza ou geram emprego.

Ainda assim, graças a uma evolução social, muitas vezes à custa de grandes lutas, nunca os níveis de igualdade social e de igualdade de oportunidades foram tão elevados nos países europeus mais desenvolvidos, o que não é o caso de Portugal, ainda que registe melhorias. Até porque graças ainda a um processo de evolução social, o empresário, o CEO ou o assalariado de uma empresa  moderna, cada vez mais dependente das novas tecnologias, onde deixámos de ter operários para passarmos a ter gente com formação especializada, estão cada vez mais longe dos velhos estereótipos. E sim, já é possível ver hoje a ir para o trabalho um empresário ou CEO de calças rotas e t-shirt, trabalhando no meio de todos os outros com uns phones nos ouvidos. E se lá entrarmos podemos ter mesmo dificuldade em perceber quem manda e quem obedece. Poderão ser insondáveis, e bem menos directos do que muitos desejam, os caminhos para o socialismo, mas eles existem.