10 novembro, 2017

TABACARIA

Teste de Filosofia. Numa questão de desenvolvimento, introduzida por um longo texto de Bertrand Russel, pedia-se aos alunos para caracterizar a atitude filosófica. A ideia era explicarem tratar-se de uma atitude crítica e reflexiva, anti-dogmática relevando-se a importância da dúvida a qual permite pôr em causa os preconceitos do senso comum e tudo aquilo que é visto como óbvio e inquestionável mas que não passa de aparência, fazendo da argumentação, enquanto exercício racional, o laboratório do filósofo, demarcando-se assim do carácter empírico e experimental das ciências. Se o aluno quisesse, e houve quem quisesse, ficaria bem invocar a Alegoria de Caverna, de Platão, a qual foi apresentada na aula para exprimir simbolicamente parte do que foi anteriormente referido. Poderia ainda invocar A Escola de Atenas, de Rafael, que projectei na aula, para lembrar Platão e o seu discípulo Aristóteles, lado a lado, um com um braço apontando para cima, o outro com um braço apontando em frente, mostrando com isto o facto de as respostas em Filosofia terem um carácter subjectivo e discutível, havendo para cada argumento um ou vários contra-argumentos, o que faz com que as respostas nunca sejam definitivas, conduzindo antes a novas perguntas e problemas.

A aluna, porém, limitou-se a responder o seguinte: «A atitude filosófica surgue-nos nas mais simples coisas como abrir uma garrafa ou simplesmente no andar. Liberta-nos ao domínio do hábito, ou seja, faz-nos descobrir coisas novas, pensamentos novos».

Chega a ser comovente. Não faltasse o chocolate e a resposta seria perfeita.