04 junho, 2017

IDEALISMO TRANSCENDENTAL

Donata Wenders

Diz Minucius Felix, em Octavianus, capítulo 24: «Nenhum de vós pense que, antes de amar Deus, se deve conhecê-Lo». Santo Agostinho poderia dizer a mesma coisa. Aliás, disse-o, só que de outra maneira. Tal como S. Paulo, uns séculos antes. O que faz todo o sentido. Se as pessoas estivessem na expectativa de poder começar a amar Deus só depois de O conhecer, nunca chegariam a consegui-lo pois não se pode conhecer o que não existe. Mas pode-se amar o que não existe. Para conhecer, tem de haver um objecto que possa ser conhecido, uma vez que conhecer é necessariamente conhecer alguma coisa. Para amar, pode haver alguém que ame mas sem um verdadeiro objecto para ser amado pois, muitas vezes, mais do que amar um objecto, o que verdadeiramente se ama é a ideia de amor ou a ideia de amar. A religião não é excepção.