09 abril, 2017

AO CUIDADO DO SR. JEROEN DIJSSELBLOEM


             
Alfredo Cunha

           
           Lá quando em mim perder a humanidade
           Mais um d′aquelles, que não fazem falta,
    Verbi-gratia — o theologo, o peralta,
                     Algum duque, ou marquez, ou conde, ou frade:

Não quero funeral communidade,
     Que engrole sub-venites em voz alta;
   Pingados gatarrões, gente de malta,
    Eu tambem vos dispenso a caridade:

      Mas quando ferrugenta enchada idosa
      Sepulchro me cavar em ermo outeiro,
       Lavre-me este epitaphio mão piedosa:

  «Aqui dorme Bocage, o putanheiro: 
Passou vida folgada, e milagrosa;
          «Comeu, bebeu, fodeu sem ter dinheiro.»