24 janeiro, 2017

QUE SAIS-JE?

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Como se não bastasse a praga de não se conseguir começar uma frase sem o imperial: «É assim:», enfaticamente proferido de 30 em 30 segundos, parece que agora não se consegue acabá-las sem um dogmático «... certo?». É tanto «É assim:» e tanto «...certo?», tanto «É assim:» e tanto «...certo?», tanto «É assim:» e tanto «...certo?» a inundar-me os ouvidos, que acabo por nem me concentrar no que escorre entre o princípio e o fim de cada frase. Não sei se é pelas generosas doses de cepticismo que fui ingerindo ao longo da vida, fechando-me numa torre onde fui aprendendo desaprendendo e desaprendendo aprendendo, a mim, muito sinceramente, o que me dava vontade seria começar as frases a assumir a possibilidade de poder não ser bem assim para depois acabá-las a pedir para me lembrarem de que posso estar errado.