31 janeiro, 2017

PARTOS

Luis Ramón Marín

Hoje, numa aula sobre Descartes, por uma razão que não vem agora ao caso, usei a expressão «A montanha pariu um rato». Por incrível que pareça, nenhum aluno a conhecia. Inquiri-os a respeito do seu possível significado e deparei com uma turma em silêncio. Lá o expliquei, assim como a circunstância que me levou a dizê-la, passando então a fazer o sentido que lhes escapara. Entretanto, horas depois, ao ter dado com esta entrevista, fui levado a concluir que tão pertinente como a existência de montanhas que parem silenciosamente ratos, será a existência, e cada vez mais, de ratos que guincham estrindentemente para darem a ideia de que parem montanhas.