28 janeiro, 2017

A BATATA

Tod Papageorge | Studio 54

Saio da escola e passo pelo Modelo para comprar uma batata. Na caixa, a rapariga mete-se comigo, gracejando e dizendo que nunca tinha visto ninguém passar só com uma batata. Ela foi simpática e eu, simpático, disse que só precisava de uma batata. Depois, já com a mochila da escola e a batata a caminho de casa, pensei que o seu riso de escrava trácia pode ajudar a perceber por que se tem olhos e ouvidos para conseguir aguentar um telejornal do princípio ao fim mas não ser capaz de se iluminar com um haikai na escuridão da noite.