03 novembro, 2015

EDUCAÇÃO SEXUAL OU FASCISMO SEXUAL?

Bruce Davidson | Brooklyn, 60's

Sou, não de um ponto de vista político mas pessoal, visceralmente individualista e anarquista. Na escola, sempre detestei fazer trabalhos de grupo. Como professor execro a ideia de comunidade que me querem impor sob a designação  de "comunidade educativa" e, por último, mas não menos importante, detesto que o Estado se meta na minha vida, limitando-se apenas a cumprir as suas obrigações, já que eu também cumpro as minhas. 

Talvez isto possa explicar o facto de me faltar o ar sempre que vêm com a jacobina história da «educação sexual». Educação sexual? Leia-se bem: educação sexual. Mas o que é a educação sexual? Ensinar a ovulação, a reprodução, a fecundação? Isso é Biologia. Mostrar como é uma pila ou um pipi? Continua a ser Biologia. E também não é nas aulas que se aprende como é uma pila ou um pipi. É nas festas, no banco de trás do automóvel, em casa quando os pais estão ausentes no trabalho, no vão das escadas quando o namorado leva a namorada a casa depois de virem da discoteca. Serão então aulas para pôr os jovens em «mesa redonda», coisa muito moderna e interactiva, a falarem sobre sexo? Se for isso, é um disparate. O sexo não é para se falar, é para se fazer. O sexo não tem nada para dizer. Uma pila que entra num pipi é uma pila que entra num pipi. Ponto final. Não são precisas aulas para perceber isso ou para falar sobre isso.

Eu vou explicar para que servem as aulas de educação sexual. O princípio é o mesmo que está subjacente à competência profissional, designadamente dos professores, à alimentação, à saúde, à higiene: reduzir a vida a uma dimensão técnica, em que tudo pode ser ensinado, discutido e avaliado. Reduzir a espontaneidade da vida ao poder ideológico dos técnicos, que dão a teoria, e dos políticos que legislam através de uma linguagem técnica obscena. Controlar socialmente o indivíduo, manipular tecnicamente os seus sentimentos, enquadrando os nossos actos numa linha científica, ecológica, biológica, técnica. A educação sexual na escola significa trocar a moral sexual cristã por uma moral sexual científica estudada em manuais da Porto e Texto Editora e ensinada por um professor que fala «daquelas coisas» como se estivesse a dar uma aula de Química, se bem que disfarçada com a retórica dos «afectos», dos «sentimentos», do «respeito pela pessoa humana». Meu Deus, sexo é sexo, deixem-no por isso em paz e acabem com este inútil e fascista pesadelo.