13 outubro, 2015

ORGULHO SEM PRECONCEITO



Num capítulo de O Ser e o Nada, diz Sartre que a vergonha é sempre, e necessariamente, vergonha perante alguém. Tenho vergonha porque o outro me vê.  Outro, enquanto mediador entre mim e mim mesmo. Como um espelho, vejo-me através do olhar do outro. Daí não existir a vergonha se não houvesse mais ninguém no mundo ou se alguém vivesse só numa ilha sem qualquer Sexta-Feira para o ver.
A Filosofia tem por vezes o problema de jogar com abstracções sem vida. Neste caso, acaba por ser gritante. Vivesse Sartre em Portugal e pensasse em certos portugueses que todos conhecemos, e teria de substituir vergonha por orgulho.