23 setembro, 2015

BRAINSTORMING

André Kertész
[Exemplo de um possível treino de sedução masculina no futuro]

A ciência nunca pára de me surpreender. Um estudo americano conclui que os homens inteligentes são os que têm melhor esperma, seja lá o que isso for e para o que for. Pronto, não digo que vá já a correr fazer testes psicotécnicos ou a ver diariamente o Quem Quer Ser Milionário para avaliar a qualidade do meu, até porque a idade, já meio avançada, inibe o desvario. Porém, como professor, empenhado que estou no pomposamente chamado «processo de ensino-aprendizagem» pelos ideólogos da educação (cientistas, segundo os próprios), sou o primeiro a torcer para que tal facto científico venha mesmo a confirmar-se. 

Pode ser que, sendo este magnífico dado socialmente interiorizado pelas massas, e graças aos sortilégios do natural processo evolutivo, a fêmea comece a sentir-se atraída pelo futuro parceiro sexual e reprodutor, em função do macho se interessar pelos clássicos russos ou ingleses, pelo expressionismo alemão ou a Nouvelle Vague, ser entendido em Egiptologia, Arte Gótica ou ter conseguido ler o Finnegans Wake da frente para trás ou de trás para a frente, uma vez que não se dá pela diferença, ou cultivar uma erótica do espírito matemático, fazendo do manual desta disciplina uma Playboy lógico-dedutiva, não, como é habitual, para ler na casa de banho, mas numa respeitável sala de estudo. O macho, por sua vez, consciente desta importante bioquímica mental, em vez de se preocupar tanto em imitar os cortes de cabelo do Cristiano Ronaldo, em vestir a roupa dos ídolos do hip-hop e mostrar as cuecas, em avaliar a consistência dos bíceps ou dos disparates que deve dizer para fazer rir a fêmea durante a aula de Geografia, passará a agir em conformidade com as pulsões da futura parceira sexual e reprodutora. Os problemas de insucesso escolar ficariam definitivamente resolvidos. E concluir-se-ia, de uma vez por todas, que o tamanho, afinal, importa. Do cérebro, obviamente.