14 setembro, 2015

12ª TESE SOBRE FEUERBACH

Jacques Henri Lartigue | A prima "Bichonade" em voo, 1905

Engraçado, pensei escrever hoje a propósito de uma frase de Chris Patten, um simpático político conservador inglês, dita numa entrevista na passada sexta-feira. Como, entretanto, me lembrava de ter escrito em tempos um pequeno apontamento a seu respeito, vou ao sótão e descubro que faz hoje precisamente 7 anos que o escrevi. Chama-se a isto ter pontaria. Mas adiante.

Dizia então ele na sexta-feira que "Há gente que manda parar o mundo para desembarcar". Quer ele dizer com isto, apesar de conservador, que há pessoas distraídas que preferem olhar para trás do que para a frente e quando depois querem intervir no mundo precisam de o parar para o poder fazer, em vez de serem eles a ter de correr para o poder apanhar. Dizia ontem Teresa de Sousa, no Público, que esta frase se pode aplicar à recente vitória de Corbyn no Partido Trabalhista inglês.

Eu percebo o ponto de vista de Chris Patten e Teresa de Sousa e até acho que têm toda a razão. Logo eu que andei tanto tempo a citar a 11ª das onze teses sobre Feuerbach que Marx escreveu no já longínquo ano de 1845, ou seja, na pré-história da nossa história recente. Dizia ele, certamente ansioso, que os filósofos se limitavam apenas a interpretar o mundo, mas o que verdadeiramente importava seria transformá-lo. Pois, mas o que eu acho é o seguinte e que Mr Patten e Teresa de Sousa me perdoem. Desde Marx que o mundo se transformou tanto, tanto, tanto, mas mesmo tanto, que, se calhar, não seria má ideia de vez em quando parar um bocadinho de o transformar só para ver se conseguíamos interpretá-lo um bocadinho melhor.