26 julho, 2015

PORTUGUESAS E PORTUGUESES

Henri Cartier-Bresson, 1955

Admito que se possam fazer sofisticados estudos sociológico para melhor conhecer os portugueses. Mas nada como uma empiríssima ida à praia enquanto descida ao país real para os conhecer, com o meu grau de evidência sensível, e Descartes me perdoe, de quem come uma patanisca de bacalhau para conhecer o sabor da patanisca de bacalhau. 

Nada como andar no terreno e longe dos fáusticos gabinetes universitários para perceber que tudo se resume apenas ao facto de existirem fundamentalmente dois tipos de portugueses e de portuguesas, separação de género esta, não no deferente sentido em que os militantes do BE os tratam mas na mais verdadeira acepção ontológica: há os portugueses que lêem a Bola e há os portugueses que lêem o Record. Há as portuguesas que lêem a Caras e as portuguesas que lêem a Lux. Claro que mais algumas variantes haverá. Mas tal como a intransitiva evidência do sabor da patanisca de bacalhau na boca de um curioso gastrónomo nos impede de dizer muito mais sobre ele, também aqui a Sociologia não terá muito mais para dizer, ficando reduzida, conforme a sensibilidade do gastrónomo social, à amarga, azeda ou demasiado salgada evidência dos factos.