29 julho, 2015

ÓCIOS DO OFÍCIO


Para Galileu, a natureza é um livro escrito em linguagem matemática, cujos caracteres são triângulos, círculos e outras figuras geométricas. Galileu era um mecanicista, via a natureza como o relojoeiro vê o seu belo mecanismo, uma máquina bem oleada, bem calibrada, regular, previsível, tic-tac, tic-tac, tic-tac.
Mas se a própria natureza, apesar de sair da inteligência de Deus, tem os seus desvarios, os relógios, esses, saídos da imperfeita mão humana, estão longe da etérea e circular perfeição supra-lunar do cosmos aristotélico. Os relógios são máquinas, saídas de humanos relojoeiros, e se os primeiros carecem de manutenção, os segundos não dispensam dias de repouso, esquecimento, desvanecimento, exílio, fora do tempo onde o relógio costuma ser rei e senhor, tantas vezes dado a tiranias e despotismos vários. Os ponteiros, já de si parados, irão assim parar, afinados pelo relojoeiro que, homem sério e meticuloso, precisa do seu tempo para garantir que os ponteiros continuem sempre pontualmente parados. Voltará em Setembro. Boas férias.