18 junho, 2015

PRAZER DIALÉCTICO



Ontem dirigi-me ao bar da escola para comer um Magnum de amêndoas. Chego lá, luto contra mim mesmo, mas luto mesmo, meu deus, estou a engordar, e decido que vou comer uma maçã em vez do gelado, deixando-me com a prazenteira sensação do dever cumprido. Hoje dirigi-me ao bar da escola para comer um Magnum de amêndoas. Chego lá mas, desta vez como mesmo o gelado em vez de uma maçã, deixando-me novamente com a prazenteira sensação do dever cumprido. Entendo o prazer do poeta em não cumprir um dever. Porém, sendo nós os artífices dos nossos próprios deveres, subjugarmo-nos a eles é tão prazeiroso como não cumprir um dever imposto por uma vontade alheia.