25 maio, 2015

O MAPA COR DE ROSA

Oscar Wilde e Lord Alfred Douglas

Costuma-se dizer que todos os caminhos vão dar a Roma. A frase está relacionada com a magnífica rede de estradas construídas durante o império romano. Mas podemos também aplicá-la ao mundo dos valores a partir do momento em que a Igreja Católica passou a ser grande referência da cultura ocidental. De facto, também aí todos os caminhos iam dar a Roma.

Mas o "sim" de um país tão conservador como a Irlanda ao casamento homossexual é, felizmente, mais um sinal de que os caminhos não têm forçosamente de ir dar a Roma. Ora, ao contrário do que muitos dirão, não se trata de uma crise de valores mas, pelo contrário, de uma crescente humanização dos valores. Como diria S. Paulo, os seres humanos não foram feitos para os valores, os valores é que devem existir em função dos seres humanos. Que um país como a Irlanda tenha percebido isso é sinal de evolução e não de regressão. Claro que o caminho para Roma não deve ser apagado do mapa. O que cumpre e me apraz registar é o facto de Roma já não ser o destino de todos os caminhos mas apenas mais um entre outros possíveis. O mapa dos valores está mais rico e isso é uma boa notícia para a humanidade. Neste caso, razão terá Stephen Fry para dizer que o Oscar sorri do seu túmulo. Ele que estupidamente bem sofreu por causa de valores que o seu povo finalmente rejeitou.