09 maio, 2015

GIGANTES E ANÕES

Francisco de Goya | O Colosso, 1808-12

Sempre gostei daquela imagem de S. Bernardo em que se vê a si e aos filósofos do seu tempo como anões quando comparados com os gigantes da antiguidade clássica, mas que, saltando para os seus ombros, conseguem ver ainda mais longe do que os próprios gigantes. Mas sempre houve e haverá quem, julgando-se gigante, nunca está suficientemente contente com a sua altura, e que em vez de permitir anões nos seus ombros, agarra-os para, deitando-os no chão, se porem em cima deles e se elevarem mais uns preciosos centímetros. O anão, para além de ver ainda menos, fica espezinhado. Já o gigante, qual Torre de Babel onde se fala apenas a sua língua, sente finalmente que chegou ao céu, do qual nunca vai querer sair.