03 abril, 2015

A BONECA



Manoel de Oliveira tramou-me. O meu reportório de piadas é confrangedor mas uma das poucas a ele o devia. Sempre que, ano após ano, se falava dos seus 100, 101, 104, 106 anos, dizia eu que se ele não tinha morrido até ali é porque já não morria. Espero, porém, que não se tenha despedido amargurado como Flaubert que, no seu leito de morte, disse "Eu vou morrer mas a puta da Bovary viverá para sempre", mas a pensar na alegria de Teresinha a receber a sua boneca, ficando feliz por sobreviver a ele, uma alegria que durará para sempre.