06 março, 2015

POUCA TERRA

Margaret Bourke- White | NYC, 1930

Tchekov, o escritor mas também médico, constrói três escolas nos arredores de Moscovo para filhos de camponeses, sendo ele que tratava de todos os processos; cria um serviço de bombeiros; cria uma clínica de doenças de pele; cria um museu de Belas-Artes; bate-se, em Moscovo, pela primeira Casa do Povo, com sala de leitura, biblioteca, um auditório e um teatro; funda a primeira estação biológica da Crimeia; dá consultas gratuitas aos mais pobres; planta árvores; no meio de tudo isto consegue ser ainda um dos grandes nomes da literatura universal.
Escreve numa carta a Górki: «Se cada um, no seu lote de terra, fizesse tudo o que pudesse, que maravilhosa seria a nossa terra!»

Chega a impressionar a sua ingenuidade ao dizer: «Se cada um fizer tudo o que puder». Acontece que há muita gente que quanto menos fizer no seu lote de terra, tanto melhor para a terra. Quanto mais fizer, pior, quanto menos fizer, melhor. A terra teria mesmo a ganhar se não tivessem nascido. Mas, tendo nascido, oxalá ouçamos falar deles o menos possível. Que seja ínfimo o seu lote de terra e tão infértil como um bloco de cimento.