31 março, 2015

ESCOLARIDADE NÃO OBRIGATÓRIA

Alfredo Cunha

Num país como Portugal, a escola jamais deveria deixar de ser uma instituição conservadora em vez de se enlevar com experimentalismos dos quais se salvam apenas os mais fortes na luta pela sobrevivência. O grave erro da educação portuguesa foi ter-se adaptado a Portugal em vez de ter obrigado Portugal a verdadeiramente educar-se. Ao nível de uma educação para a cultura, das regras básicas da civilidade, da conciliação entre o que são os legítimos apetites individuais de cada pessoa e a submissão a regras e princípios básicos de qualquer sociedade com níveis simpáticos de racionalidade. 

O problema dos portugueses e, consequentemente, de Portugal, como diria o saudoso duque de Palmela, são os próprios portugueses, que são os que temos e não outros. Os portugueses dão-se mal com a organização, não sabem controlar impulsos, são resistentes às regras como a da pontualidade e dezenas de outras, demasiado displicentes no respeito pelos outros, sendo na escola que começa tudo isso. Como imagem eloquente de um país, podemos dizer que Portugal começa no modo como os alunos entram e saem de uma sala de aula. 

A escola portuguesa está muito longe do que deverá ser uma verdadeira escola. Portugal, porém, continuará a estar perto de si próprio.