02 fevereiro, 2015

O BALÃO VITAL

Bert Hardy | Jovem rapaz soprando um balão em Gorbals, 1948

«É a vida!».
Entre cansados suspiros, pudicos gemidos e sorrisos que se desvanecem na sua própria sombra, é a frase que oiço mais vezes no lar da minha mãe. A vida é mesmo do domínio do inefável, um insondável mistério bem escondido nas entranhas da alma. Só mesmo a vida para fazer as pessoas agarrarem-se à vida, uma vida que não tem outra justificação senão ela própria: inspira, expira, inspira, expira, inspira, expira, inspira até, um dia, já sem ponta de inspiração, expirar de uma vez por todas.