05 dezembro, 2014

MÚSICA DE FUNDO


Thomas Dewing, The Musician

Um filme é para ser visto e não para ser ouvido. Daí "vermos um filme" e não "ouvirmos um filme". Porém, e sem que muitas vezes dêmos conta disso, a música é um elemento fundamental de qualquer filme, diria mesmo o que nos conduz à verdadeira essência do filme enquanto drama, comédia, terror, suspense ou aventura. Os nossos olhos fixam-se na sequência narrativa das imagens, atribuindo-lhe um significado, mas é a música que verdadeiramente liga o coração do espectador ao coração do filme. A música funciona assim como uma espécie de inconsciente do filme, uma textura invisível, porque sonora, e os sons não se vêem, mas que manipula as nossas emoções enquanto o vemos: medo, terror, alegria ou ternura. Em suma, vê-se o filme, sobre o qual discorremos racionalmente, mas é a música que nos vai verdadeiramente «explicando» o filme sem darmos conta disso, dando-lhe um sentido latente por detrás do seu conteúdo manifesto.
Daí poder ser engraçado fazer o seguinte exercício: cada pessoa conceber a sua vida como um filme imaginário no qual surge como personagem principal. Entretanto, para tentar perceber o que se passa em cada plano e sequência da sua vida, deverá imaginar a música que o realizador imaginário do seu filme irá escolher para acompanhar as imagens. Eis, pois, um bom exercício para podermos compreender o que as imagens de que são feitas as nossas vidas, na sua aparência e fragilidade apolíneas, muitas vezes não conseguem mostrar. 
Já agora, bom filme!