28 agosto, 2014

O SALÃO PAROQUIAL


John Huston | O Morto, 1987 [fotograma]

Os alunos adoravam-na; ela transmitia-lhes a sensação de que executar pequenas peças ao piano ou tirar do violino belas melodias, compensava aquilo que de mau havia num mundo criado por Deus e destruído pelo Diabo.

Tirei esta passagem de um pequeno conto de Tenessee Williams chamado A Semelhança Entre um Estojo de Violino e um Caixão, e a pessoa adorada é uma insignificante professora de música cujos jovens alunos irão tocar num recital no salão paroquial de uma insignificante terrinha do sul perdida no mapa. Talvez a vida e a felicidade que da vida se pode extrair seja exactamente isso. A vida pouco mais é do que uma insignificante terrinha do sul perdida no mapa e felicidade será poder estar no seu salão paroquial a executar pequenas peças ou a tirar do violino belas melodias, para compensar aquilo que de mau há num mundo criado por Deus e destruído pelo Diabo.