04 julho, 2014

AUTENTICIDADE ROMÂNTICA


Wordsworth, Coleridge, Schiller, Göethe foram homens que, durante os seus anos de juventude, celebraram a liberdade, a espontaneidade, a rebeldia, o sofrimento, contra uma ordem burguesa e institucional dominada por valores hipócritas e uma racionalidade utilitária. Mais importante do que o prazer, era a liberdade e a possibilidade de ser si próprio nem que fossse à custa de sacrifícios e sofrimentos. Por causa destes homens e em nome desses ideais, inúmeros jovens se suicidaram por essa Europa fora. Só à conta de Os Sofrimentos do Jovem Werther foram centenas, numa espécie de loucura colectiva que atacou os jovens europeus.
Mais tarde, aqueles escritores acabaram por fazer as pazes com a ordem estabelecida, tornando-se mesmo figuras representativas das respectivas pátrias e orgulhos nacionais. Bons burgueses, enfim. Entretanto, os jovens que se suicidaram encontraram a verdadeira autenticidade que procuravam. Morreram, quando, pelo contrário, deviam estar a rir. Se procuravam a autenticidade deveriam procurá-la no riso, porque rir é o que há de mais autêntico na vida, onde quase tudo é risível.