11 março, 2014

ESTADO DE ALMA


Parece haver uma obsessão mística com o número 3 quando se trata de dividir uma sociedade em classes sociais. Platão, na República, fala em guardiões, guerreiros e artífíces. Na Idade Média havia o clero, a nobreza e o povo. Depois, manteve-se o clero e nobreza mas o povo e a burguesia passaram a integrar o terceiro estado. Hoje, com verdadeiro peso sociológico, temos uma grande classe média distribuída por 3 níveis hierárquicos. Eu, que não tenho instinto sociológico, acharia muito mais piada a uma sociedade que se pudesse dividir entre os que preferem o 1ºandamento, o 2ºandamento ou o 3ºandamento da sinfonia nº 3 de Górecki. A sinfonia pode ser a das pesarosas canções. Mas seria uma sociedade bem mais harmoniosa. E o Estado, longe da racionalidade hegeliana, da racionalidade capitalista ou da racionalidade socialista não seria mais do que um Estado de almas. A caminho da cidade de Deus, diria Santo Agostinho.